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Experimentação
Transdisciplinar
Destacamos
como pontos de nosso programa de gestão algumas ações
que não se encaixam nos conceitos puros de ensino, de pesquisa,
ou de extensão, mas que integram essas três dimensões,
permeadas ainda pela noção de transdisciplinaridade. Citamos
duas possibilidades de ações que poderiam ser implementadas
através do IEAT:
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A
tentativa de localizar, através de editais do IEAT, os conjuntos
de docentes de áreas diversificadas, e com atuação
destacada, que poderiam vir a constituir Grupos de Referência
em temas emergentes inter-áreas. Como exemplos, citamos as
hipóteses: “Estudos da Antiguidade” (envolvendo
diversos departamentos da Fafich, Letras, Belas-Artes, Música,
etc), “Gestão de Cidades” (envolvendo IGC, FACE,
Fafich, Engenharia, Medicina, etc), etc. A idéia é,
tendo localizado a excelência, dar a ela a visibilidade, tanto
internamente quanto no meio acadêmico externo e junto à
sociedade. Produzir, nesses grupos, tanto a pesquisa de ponta quanto
a formação de recursos humanos e a extensão,
segundo a abordagem pouco usual, e potencialmente inovadora, da convergência
das visões de vários campos distintos.
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A institucionalização de mecanismos de mobilidade docente
para ensejar o trânsito inter-áreas. Uma proposta seria
estabelecer um mecanismo de “liberação docente”
semelhante ao “ano sabático”, mas para uso interno.
Por esse mecanismo, um docente poderia solicitar ao seu departamento
a liberação parcial ou total, durante um período
de um semestre ou um ano, para atuação junto a outro
departamento ou unidade da UFMG. O projeto de atuação
deveria ser aprovado tanto pelo departamento de origem quanto pelo
departamento/unidade de destino. Com isso, seriam criadas condições
materiais para o surgimento de uma interação muito mais
intensa, que dentro de poucos anos poderá alavancar a UFMG
como referência nacional e internacional.
Em
outra direção, há aspectos institucionais da atividade
de pesquisa e extensão que não vêm sendo explorados
pela UFMG, e que cumpre colocar em funcionamento. A sociedade contemporânea
encontra hoje dilemas e impasses que se desdobram e se multiplicam com
velocidade cada vez maior, enquanto o mundo se complexifica. Essa sociedade
esperaria da universidade, senão respostas para questões
talvez irrespondíveis, mas pelo menos a reflexão pautada
pela herança do conhecimento que a universidade pretende abrigar.
Constitui obrigação da universidade tornar disponível,
para o cidadão comum, a crítica das questões de
cada momento, para além do senso comum. Citamos as questões
recentes da infra-estrutura de energia elétrica, dos alimentos
transgênicos, da transposição do São Francisco,
e a questão atual da “corrupção e estado
democrático”. Seria de se esperar, de uma universidade
presente, que se fizessem no tempo certo publicações de
diversos níveis sobre esses temas, debates acadêmicos e
para o grande público, simpósios de especialistas, relatórios
técnicos, textos-fonte para a grande imprensa, entre outros.
Propomos que seja criado, na UFMG, um “Núcleo de Conjuntura
e Estudos Estratégicos”, capaz de produzir respostas para
questões dessa natureza. Tal núcleo funcionaria com mecanismos
diversificados de mobilização da comunidade acadêmica,
lançando editais-relâmpago para publicações
e pesquisas, promovendo eventos de maneira ágil, e outras ações
que melhor se adaptarem a cada demanda e a cada momento.
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